Os 7 Pilares das USF | Saúde e Cidadania: um valor acrescentado

Os sete pilares temáticos do 7º Encontro Nacional das USF cruzar-se-ão transversalmente, tendo em conta a cidadania e a capacitação dos utentes/comunidade, privilegiando a interdisciplina dos diferentes grupos profissionais.

As 23 oficinas temáticas, estão relacionadas com um dos 7 pilares do programa e estão divididas em 3 a 5 laboratórios de aptidões, abertos a grupos de 10 a 25 participantes, previamente inscritos com duração entre 90 a 120 minutos.
As conclusões de cada oficina temática, serão apresentadas e validadas (votadas) em sessão plenária, a ocorrer no Auditório da Reitoria. Na sessão de encerramento, será apresentada a “Declaração de Aveiro”, que integrará as expectativas e contribuições das USF expressas nos plenários dos 7 Pilares.
Posteriormente, até 10 de junho, serão publicadas as conclusões deste 7º Encontro Nacional, resultando na publicação pela USF-AN das Linhas de Ação Prioritárias para a nova Reforma dos CSP para os próximos 7 anos.

Conheça os Pilares e respetivas Oficinas Temáticas:


 1. Inovação em Cuidados de Saúde Primários - Sistema de Informação

O profissional dos CSP tem-se adaptado às necessidades e ao contexto sociocultural da população do século XXI. O ritmo a que avança a tecnologia e a rapidez com que se transmite a informação faz com que as USF utilizem as tecnologias em prol da proximidade (ex.: telemedicina, Plataforma de Dados em Saúde) e da capacitação dos utentes (BI das USF e PDS), devendo para isso, promover a inovação aliando o desenvolvimento técnico ao valor da relação com os utentes e à dimensão humanista dos CSP.

Por sua vez, continuamos na era das múltiplas “aplicações” (20) informáticas e não na era do desenvolvimento estrutural de um sistema informático com termos de referência validados por todos os intervenientes. Continuamos com sistemas não integrados, resultando uma interoperabilidade muito baixa, soluções orientadas por profissão “isolada”, fraca normalização da informação, baixa e preocupante segurança de informação e multiplicação das bases de dados (BD).

Impõe-se nas três oficinas temáticas uma séria reflexão sobre quais as tecnologias que efetivamente trazem valor acrescentado aos CSP (as já existentes e as que poderão vir a introduzir-se), por oposição a maior "ruído instrumental" desnecessariamente interposto no espaço-tempo de consulta, além de se voltar a recapitular como se deve garantir a interoperabilidade de todas as aplicações, se implementa um processo clínico único e seguro do ponto de vista da confidencialidade dos dados clínicos propriedade dos cidadãos, se desmaterializa a totalidade do papel e se garante o acesso para todos os utilizadores a um módulo de monitorização de toda a atividade com apoio prioritário à atividade e decisão clinica.

Oficinas Temáticas:

  • Novas e Velhas Tecnologias em CSP - Joana Neto
  • BI das USF e Investigação - José Luís Biscaia
  • Codificação Clínica nas USF - Tiago Vieira Pinto

 2. Cuidados Personalizados e de Proximidade em rede - Carteira de Serviços

A prática clínica das equipas das USF está assente em conceitos que reforçam a ligação com o utente, a família e a comunidade. Mais do que nunca os cuidados de saúde primários devem ser personalizados, continuados e de proximidade à população, prestados por uma equipa multidisciplinar com autonomia e a trabalhar em rede com a comunidade. Além disso, as USF devem preparar-se para dar resposta qualificada às novas necessidades dos utentes intimamente ligadas a fatores de ordem psicossocial. São exemplos alguns dos problemas da área materno-infantil, da adolescência, insucesso escolar, obesidade, sedentarismo, dependências, onde o alcoolismo e o tabagismo têm sido subintervencionados, situações de isolamento, pobreza e sofrimento dos idosos.

Oficinas Temáticas:

  • Cuidar da pessoa com asma/DPOC numa equipa de saúde - Jaime Correia de Sousa
  • Cuidar da pessoa com diabetes tipo 2 numa equipa de saúde - João Rodrigues
  • Acompanhar e cuidar das crianças e jovens - Paula Braga da Cruz
  • Sexualidade em Saúde Familiar - Bernardo Vilas Boas
  • Abordagem de comportamentos aditivos e dependências nos CSP - João Rodrigues
  • Tratamento de Feridas - Paulo Alves
  • Alimentação, exercício físico e obesidade - Paula Pinto Ângelo
  • Envelhecimento Ativo - Rui Costa

 3. Gestão do Conhecimento e Prevenção Quarternária

A Governação Clínica e de Saúde, entendida como um sistema de conhecimentos, atitudes e práticas de pilotagem clínica individual e de equipas de saúde, visando obter resultados em termos de efetividade com equidade (ganhos em saúde) para as pessoas, famílias e comunidades de uma área geográfica definida, tem vindo a desenvolver-se nas USF como uma cultura de serviço. Os médicos e enfermeiros de família lidam diariamente com a incerteza, tendo de gerir situações complexas. A literatura internacional e algumas conferências médicas têm-se debruçado sobre o tema. A MGF é pioneira no estudo da Teoria da Complexidade e da Gestão do Conhecimento associada aos cuidados de saúde.
Nas duas Oficinas Temáticas programadas, queremos rever e reafirmar a necessidade de instituir em cada USF uma cultura de responsabilidade individual e coletiva com a necessária capacidade adaptativa a novos desafios, fazendo uso de instrumentos de autoavaliação, auditorias internas e de avaliação externa (acreditação) e consequente aferição de práticas e reconhecimento externo.

Oficinas Temáticas:

  • Governação Clínica numa USF - Jorge Rodrigues
  • Gestão do conhecimento e prevenção quaternária - Paulo Costa

 4. Processos Assistenciais Integrados (PAI) e Trabalho em Rede

O SNS, serviço público geral e universal orientado para o cidadão, tem de aperfeiçoar uma gestão clínica integrada que elimine barreiras e garanta fluidez nos circuitos que o doente necessita de percorrer ao longo dos CSP, cuidados hospitalares ou cuidados continuados.
Os cuidados partilhados e integrados têm já, em certos domínios clínicos (saúde materna e criança), uma larga experiência, mas noutros ela é escassa. É necessário apostar no trabalho em rede com uma circulação dos doentes sem barreiras não perdendo tempo, nem informação. Para isso, devemos criar mais PAI, consultadorias internas e externas e ter também capacidade para cuidar na diferença, com trabalho em rede, com os profissionais das outras Unidades Funcionais do ACeS (UCC, URAP e USP), da comunidade local e das unidades hospitalares, integrando todas as atuações, informação, competências, e recursos, visando impulsionar cuidados de saúde de qualidade centrados nos doentes e não nas instituições.

Oficinas Temáticas:
  • Planos assistenciais integrados - João Rodrigues
  • Articulação de cuidados dentro e fora de um ACeS - Carlos Nunes

 5. Satisfação e Participação dos Utentes e da Comunidade

Necessitamos de conhecer com regularidade os índices de satisfação dos utentes e é também consensual que devemos melhorar a participação ativa dos cidadãos e da comunidade nas USF e nos ACeS para podermos dar um passo decisivo no sentido duma mais efetiva apropriação do SNS por parte da sociedade.

Nesta oficina temática, pretende-se discutir os passos a dar para se criar uma comissão de utentes ou uma liga de amigos, qual o papel do voluntariado e qual o papel da promoção da literacia em saúde e da capacitação dos utentes como condição essencial para um pleno exercício da participação cidadã (democracia em ação) nos CSP.

Oficinas Temáticas:

  • Cidadania e participação nas USF - Joana Simões

 6. Formação para a Gestão da Mudança Comportamental

As USF constituem-se como espaços privilegiados de inovação e aprendizagem. Torna-se premente desenvolver uma estratégia integrada para a formação/ação dos secretários clínicos, enfermeiros e médicos das USF, alicerçada no desenvolvimento permanente de competências, passíveis de reconhecimento e validação, não esquecendo a necessidade de formar os profissionais na governação clínica, gestão participativa, gestão de conflitos, autoavaliação e liderança. As USF constituem-se também como um “ser vivo de elevada complexidade”, Organizações Positivas, onde se sedimenta uma nova cultura, alicerçada na coragem, esperança, otimismo, resiliência, cooperação, criatividade, energia, emoções positivas, confiança, cidadania e sabedoria.
Em suma, como crescer e aprender continuamente numa USF e sentir-se feliz?

Oficinas Temáticas:

  • USF como Organizações Positivas - Horácio Covita
  • Felicidade no Trabalho - Rui Maggioli
  • (In)Satisfação Profissional - José Carlos Marinho

 7. A nova Geração de Equipas Multiprofissionais está aí, bem viva

Os novos rumos nos CSP são hoje fortalecidos pela motivação e entusiasmo das USF como ser vivo em permanente evolução, nomeadamente com os internos e jovens especialistas em MGF, e com os enfermeiros de família e com os secretários clínicos. Estas gerações acreditam que a Saúde Familiar de proximidade configura a área da saúde que melhor serve as necessidades da população e que melhor contribui para a sustentabilidade do SNS.
A produção de novas ideias e a reinvenção contínua do fortalecimento das USF com uma verdadeira política de recursos humanos qualificados e motivados são fundamentais para uma cultura inovadora e para uma prestação de cuidados de saúde moderna e com qualidade. Nesse sentido, urge discutir a melhor forma de criar a categoria profissional de secretário clínico e de como se poderá levar por diante a incorporação de outras profissões da saúde, como psicólogos clínicos, nutricionistas, assistentes sociais, fisioterapeutas, médicos de outras especialidades, entre outros.

Oficinas Temáticas:

  • USF Formativa - Horácio Covita
  • Internato de MGF nas USF - Álvaro Pereira
  • Enfermeiros nas USF - Marília Rua
  • Presente e Futuro do Secretário Clínico nas USF - Fátima Garcia


SETE (7) MEDIDAS POR PILAR - PÓS 7º ENCONTRO NACIONAL DAS USF

O 7º Encontro Nacional das USF que decorreu em Aveiro, nos dias 14, 15 e 16 de maio, teve a particularidade de envolver no pré-encontro cerca de 200 preletores das 23 oficinas temáticas e dos 70 laboratórios de aptidões na elaboração de medidas a serem discutidas para o próximo ciclo de 7 anos.

Como anunciado na “Declaração de Aveiro”, apresentam-se para votação de todos os sócios da USF-AN, as 7 (SETE) medidas por Pilar.

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